Campanha #PAZcoaNoAlemão! Bora ajudar?

logo pazcoa 1 Campanha #PAZcoaNoAlemão! Bora ajudar?

 

Amiguinhos! Hoje a tia Ana vem conversar com vocês sobre uma iniciativa muito legal do Voz da Comunidade, se chama #PAZcoaNoAlemão, em que Rene Silva e seu super time de voluntários juntam milhares de chocolates para distribuir para as crianças da favela no período da páscoa. A ação teve seu início em 2010 com apenas 180 chocolates doados. Ano passado atingiram a marca de 6mil chocolates e foram capazes de distribuir e arrecadar sorrisos por aí.

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Esse ano, queremos chegar aos 10 mil chocolates e para isso precisamos da ajuda da galera, sendo morador da comunidade ou não. E aí? Bora ajudar?

PONTOS DE ARRECADAÇÕES NO RIO DE JANEIRO:

Zona Sul: Rua Almeida Godinho, 26 – Lagoa (Próximo do Posto Shell da Fonte da Saudade).  Aos cuidados de Lucia Judice. Tel.: (21) 3185-0308
Zona Norte: Avenida Além Paraíbas, 785 – Higienópolis (Próximo ao supermercado Prezunic). Aos cuidados de Tiago Bastos ou Geisa Pires. Tel: (21) 3586-2383
Região Metropolitana: – São Gonçalo, atrás do Boullevard Shopping, nº 150 – Aos cuidados de Roberta Meireles. Tel: (021) 98133-8753

Caso você não seja do Rio, contribua através da nossa conta bancária que todo dinheiro arrecadado será para a compra de chocolates.

Caixa Econômica Federal

Agência: 0198
Conta Poupança: 25173-9
Operação: 013
ONG VOZ DAS COMUNIDADES
CNPJ 21.317.767/0001-19
IM: 0625673-2

Para maiores informações ligue (021) 3586-2383 ou escreva um email para tiago@vozdascomunidades.com.br

A Cicatriz #ProjetoAnaGostosa

cicatriz abdominoplastia A Cicatriz #ProjetoAnaGostosa

Durante 23 anos foi construída uma uma parede em minha volta que me afastava do mundo real e 3 anos para conseguir destruí-la tijolo por tijolo. Foram anos de dieta, exercícios, sacrifícios e sentimentos conturbados para emagrecer 38kg. Trinta e oito quilos de mágoas, traumas, medos e sofrimento acumulados em forma de gordura que se mostraram muito difíceis de eliminar.

Durante este tempo me expus para poder mostrar para as pessoas que era possível e, ao mesmo tempo que recebia muito apoio, muitos torceram para que desse errado. Muitos falaram que não ia adiantar e que eu engordaria tudo novamente. Muitos comentaram que mesmo depois de emagrecer eu continuava gorda e tentaram me menosprezar.

Não me entreguei. Lutei com toda a minha força e alma para que eles não vencessem e eu conseguisse me livrar de tudo que me prendia confortavelmente em um manto de tristezas, mentiras para mim mesma e comodismo.

Mas o que ninguém me contou é que mesmo depois de emagrecer esse peso todo, a Ana obesa e deprimida continuaria ali, abraçada em mim e a cada deslize ou dificuldade ela viria à tona, tentando me fazer comer meu stress e dormir meus problemas.

Essa Ana estava abraçada em excesso de pele, que deixaria meu corpo triste e lembraria todos os dias de que eu não era uma pessoa saudável, mas sim uma ex obesa, com um fantasma gordo tentando me fazer voltar para aquela vida.

Decidi fazer as cirurgias reparadoras e demorei dois anos para conseguir juntar todo dinheiro necessário. Neste tempo tive que voltar para Porto Alegre e lutar contra o sentimento de retrocesso, tive que abdicar da minha vida pessoal e sair menos, conversar menos, transar menos, aparecer menos e ser menos. Tive de lutar com a dúvida constante que me perguntava se tudo isso valeria a pena.

“A Ana anda muito triste. Só reclama por não conseguir fazer as cirurgias, isso não é grande coisa.”

Quase ninguém me entendia quando eu falava que sofria por ainda não ter feito minhas cirurgias. Ninguém entendia o que era ver um corpo feio com marcas do sofrimento passado expostas a cada banho. Nenhuma pessoa acreditou que fosse algo tão importante. Mas era. É.

Fiz minha primeira bateria de cirurgias e consegui me despedir da barriga e seios tristes. A sombra da Ana obesa está cada vez mais para trás e consigo, finalmente, ver uma pessoa vencedora que conseguiu chegar ao seu objetivo.

Fui uma adolescente/jovem machucada por bullying, tortura psicológica, opressão machista e tudo isso se tornou na minha maior ferida em forma de gordura. Depois das cirurgias ganhei uma cicatriz gigante em forma de sorriso pela qual estou apaixonada.

E agora, feliz como estou, posso dizer finalmente: Estou cicatrizada, em todos os sentidos.

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A Ana obesa ainda está aqui agarrada nos meus braços, mas assim que der faço as outras cirurgias e me renovo completamente.

“Logo mais amanhã já vem. Chega dessa pele, é hora de trocar…”

Quando o perigo bate à porta

Uma das coisas mais loucas de amadurecer e se tornar realmente uma mulher, é que você começa a lidar com problemas e medos que nem sequer pensava que existiam. Quando se é criança/adolescente não se faz ideia do que seja assédio, estupro e violência contra a mulher a não ser que, infelizmente, você os vivencie traumaticamente na sua infância e acabe destruindo sua vida em função disso.

Mas envelhecer tem dessas e quando se dá conta disso você, como mulher, toma alguns destinos: ou você se torna uma feminista e luta da sua forma e com suas atitudes contra estes problemas para que outras mulheres não sofram assim, ou você se torna uma mulher submissa, com uma vida extremamente infeliz, acreditando que estes problemas são sua culpa. Há também aquelas que repetem o discurso opressor, dizendo que mulher tem que “se dar o respeito” e iludem-se achando que não precisam do feminismo até que sofram de fato alguma violência e mudem de ideia.

O assédio sexual na rua é algo que faz parte da vida da mulher e é um assunto muito mais amplo e perigoso que qualquer homem pode imaginar. Às vezes basta apenas um simples olhar para que nos sintamos geladas, ameaçadas e com um medo inexplicável de que algo pior possa acontecer.
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Não importa se o homem é bonito, feio, bem sucedido, mendigo, velho ou novo, este olhar faz com que todos se transformem em um perigo ou ameaça e um problema real na vida de uma mulher. O olhar de assédio é muito diferente de um olhar de admiração ou elogio como muitos homens gostam de dizer e nós, mulheres, conseguimos notar facilmente a diferença.
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Às vezes este olhar se resume a isso, por outras ele evolui para cantadas e palavras de baixo calão proferidas livremente na rua e em algumas, infelizmente, vira assédio físico que pode variar entre um bloqueio de passagem, passada de mão até estupro.

Nós passamos por isso diariamente e temos que nos lembrar constantemente de que não somos sujas ou vadias por usarmos determinado tipo de roupa, reafirmamos que a culpa disso acontecer não é nossa, e nos sentimos aliviadas por, naquele dia, termos chegado em casa com segurança e que felizmente nada de errado aconteceu.

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Mas o que acontece quando o perigo entra na sua casa? O que acontece quando você recebe um olhar destes onde você julga estar segura?

Neste sábado que passou tive um dia ruim e resolvi passar a noite assistindo Netflix e comendo pizza sozinha mesmo porque às vezes eu mereço me agradar e ninguém paga minhas contas para poder julgar não é?

E o que aconteceu foi mais ou menos isso.

Atendo o interfone:
- Oi, Ana! Sua pizza chegou!
– O entregador pode subir até aqui em casa para eu pegar a pizza? Estou com preguiça de descer…
– Não pode né, Ana… regras do condomínio, você tem que descer.

Desci até a portaria para pagar a pizza e enquanto caminho até a porta por um longo corredor recebo um olhar mais ou menos assim:

anthony hopkins hannibal Quando o perigo bate à porta (Pra quem não sabe, este é o gênio Anthony Hopkins que
conseguiu captar perfeitamente o olhar de um psicopata)

Fiquei muito constrangida e com o mesmo gelo na alma que sinto quandosou devorada com os olhos por alguém.

Evitei de olhar o motoboy nos olhos porque não queria que ele achasse que pudesse ter qualquer liberdade comigo. Paguei a pizza, dei boa noite aos dois e voltei em direção ao elevador. Infelizmente, pelo reflexo do espelho, pude ver que o motoboy não foi embora depois que me despedi e que ficou me secando olhando minha bunda até eu entrar.

Entrei no elevador, suspirei e pensei “ainda bem que o porteiro não deixou ele subir”.

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Para a minha surpresa, dois dias depois recebo mensagem desse mesmo cara no facebook, dizendo que nem ia perguntar se eu tinha namorado, afinal eu estava sozinha num sábado à noite. Eu poderia ter mentido dizendo que tinha namorado, mas não acho justo que ele precise saber que “tenho um homem” para me respeitar. Então disse que se eu estivesse sozinha ou não, não era problema dele e por fim o bloqueei.

Senti minha privacidade invadida, fiquei constrangida por ele pegar meu nome da nota da pizzaria e me buscar no facebook. Nada dava o direito para ele me olhar com tanta “fome” e ainda depois vir invadir e falar sobre minha vida pessoal daquela forma. Não achei certo e já informei a pizzaria do ocorrido, mas e agora? Como lido com o medo de ter tomado a atitude correta?

Será que ele já fez isso com outras mulheres? E se ele se sentir ofendido por ter sido bloqueado? E se ele resolver se vingar por ter recebido uma advertência no emprego ou até perder o emprego? O que mais ele vai fazer? Ele tem meu nome, telefone e sabe onde moro. Eu? Tenho medo.

Então além de ter de conviver com o medo de represálias, tenho que trabalhar minha cabeça para não deixar que esse medo me consuma a ponto de não pedir mais comida em casa, achar que dependo de alguém para receber algum técnico de serviços aqui e volte a pensar que não estou segura por ser uma mulher que “não tem um homem para defendê-la”.

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Não podemos ignorar situações assim. Não podemos aceitar comentários como “O que você estava vestindo?”, “Por onde passou quando aconteceu?”, “Mas você respondeu? Devia ter ignorado…”, “Olhar não é assédio.” porque a culpa não é nossa e os homens precisam aprender a respeitar mulheres como seres humanos, pois não somos presas a serem devoradas.

Tenho medo, mas sei que fiz a coisa certa. Não passarão.