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Whole 30 – O dia que me apaixonei por um livro

Há mais ou menos uns 6 meses um livro foi entregue pela editora Sextante na minha casa. Se tratava do Whole 30, um livro com um programa alimentar para emagrecer e ter mais saúde com comida de verdade. Não dei muita importância no momento, segui minha vida e o livro foi parar na estante.

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Com a virada do ano e a descoberta de um novo amor na minha vida (o Crossfit) achei que seria um bom momento para uma nova reeducação alimentar, pois o Crossfit é uma atividade que exige alto rendimento e nos últimos anos me vi refém do pão e de carboidratos, mesmo que complexos, novamente. Eu decidi que me desafiaria a uma desintoxicação de 15 dias dos pães, carboidratos e grãos, foi então que o Whole30 ficou me olhando lá da estante.

“Será que esse livro pode me ajudar? Vou dar uma lida, vai que né…”

Resolvi lê-lo e foi amor à primeira virada de página.

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Eu percebi que estava certa em querer uma desintoxicação, porém 15 dias não seriam o suficiente. Lendo o livro fui convencida que precisava de 30 dias livre de carboidratos, cereais, leguminosas e principalmente açúcar. Decidi me comprometer.

Vou fazer o Whole 30. Serão 30 dias de foco total e desintoxicação.

O livro é tão completo que tem um monte de receitas deliciosas para tornar essa jornada mais gostosa e tem várias páginas de perguntas e respostas para poder me ajudar a seguir em frente.

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Adorei a linguagem do livro e a forma rígida e direta que ele trata quem se propõe a começar o programa, você se sente desafiado e tem vontade de concluir.

“VOU MOSTRAR PRA ESSE LIVRO QUEM É QUE É FODÃO AQUI! ELE VAI VER!!!”

Hoje estou no dia 2 e por enquanto a empolgação reina aqui, todos os dias no fim do dia virei escrever o que comi e como estou me sentindo com esse desafio, quem vem comigo?

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O estupro e o antidepressivo

Este é um post difícil de escrever, muito mesmo, até porque eu havia me prometido que não falaria mais sobre a minha vida pessoal ou intimidade de forma tão explícita na internet. Ainda estou firme no objetivo de manter minha vida pessoal preservada a partir de agora, porém, acredito que este post, essa exceção da promessa, é importante, pois pode salvar a vida de outras pessoas como eu.

3 anos e 8 meses atrás sofri um estupro. Eu morava em São Paulo em um apartamento maravilhoso, tinha amigos maravilhosos, ganhava muito bem com a minha carreira de youtuber, havia perdido 38kg e minha autoestima não podia estar melhor, neste momento de vida fui a um encontro com um homem e, por precaução, bebi somente água, porém fui drogada e estuprada dentro da minha própria casa. Lembro apenas de flashes do que aconteceu, lembro que eu dizia não e que quando recobrava minha consciência estava fazendo justamente as coisas que eu não queria. Lembro que ele usou camisinha. Lembro que fiquei machucada por uma semana. Não lembro mais de nada.

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Porém uma coisa vive em mim até hoje. O sentimento de ter virado estatística. Não tive coragem de denunciar, pois fiquei com medo que ele me matasse. Não tive coragem de contar pra ninguém, pois me culpei por ter ido a um encontro com um cara que conheci na balada. Achei que a culpa era minha e sofri calada. Não fui ao hospital. Lembro do medo absurdo que senti quando fui abrir meu primeiro teste de HIV feito 6 meses depois deste trauma. “Então é sobre isso que essas feministas falam?” pensei, quando finalmente notei que essas feministas eram mulheres corajosas que apenas lutavam pela vida de todas nós.

Me assumi uma dessas feministas.

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Meus vídeos mudaram drasticamente de rumo, eu precisava alertar outras mulheres e outras meninas sobre o quanto nós precisamos lutar por nós mesmas. Conquistei um público diferente, porém não consegui me recuperar psicologicamente do que aconteceu. Fazia 3 anos e 8 meses que eu não conseguia mais dormir. 3 anos e 8 meses que todas as minhas noites eram repletas de pavor noturno e pesadelos aterrorizantes. 3 anos e 8 meses que eu não tinha mais vontade de viver e cada dia era uma luta gigante dentro de mim em que eu tentava me convencer que a vida valia a pena e que eu merecia ser feliz novamente.

Voltei para Porto Alegre, pois São Paulo me apavorava, minha cabeça doía e eu hiperventilava quando estava na rua, pois sentia medo de encontrar meu estuprador em qualquer esquina. Me isolei, não saía de casa, desenvolvi pavor por qualquer ser humano e fiquei dois anos sem conseguir me relacionar. Lembro quando estava ficando com um amigo meu que eu amava do fundo do coração, um dos primeiros que consegui ficar depois do estupro, e na hora de transarmos eu apenas sentei na cama e chorei. Eu não queria que ninguém me tocasse.

Eu até conseguia ficar com meninos, mas não conseguia transar. Ninguém tinha paciência para esperar eu me sentir à vontade. As únicas relações sexuais que consegui ter foram quando eu estava completamente bêbada a ponto de não associar o presente ao passado. Mesmo assim era difícil. Muito difícil. O dia seguinte era feito de lembranças do trauma, os flashes voltavam fortes demais e eu chorava tomando banho enquanto tentava me convencer que tinha sorte por estar praticamente inconsciente quando fui estuprada e ainda estava viva.

Minha cabeça estava quebrada. Eu não conseguia dormir durante a noite, meu corpo desligava em algum momento e os pesadelos começavam, então eu acordava na metade do dia, já exausta e com dores no corpo. Eu não tinha forças para pedir ajuda, pois pedir ajuda implicava em contar o que aconteceu comigo para alguém e eu não tinha coragem de fazer isso.

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Eu ficava dias sem tomar banho, não lavava a louça, não arrumava minha casa. Eu apenas sofria. Tentava até fazer vídeos para o meu canal, mas não tinha força de vontade para fazer algo bom. Eu estava perdida e minha cabeça estava quebrada.

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