Esporte

Relato da minha primeira corrida: o dia que a velhinha de chinelo passou por mim

Desde que recebi a notícia que não poderia fazer musculação, vôlei ou qualquer outra atividade que forçasse demais meu corpo por um ano, o meu desafio tem sido encontrar o prazer do exercício na corrida. Não tem sido fácil. Eu nunca fui fã de corrida, tenho vergonha e é difícil iniciar uma atividade que me desagrada, mas tenho me dedicado muito para que seja cada vez menos doloroso e mais prazeroso correr por aí.
Com a ajuda de apps de corrida e uma boa playlist no ouvido, os desafios das corridas pelos parques têm sido enfrentados e vencidos, até que recentemente surgiu mais um: o pessoal da Track&Field do Iguatemi me convidou para correr os 5km do circuito Track&Field Run Series.

Quando li o email a minha primeira reação seria dizer não.

Eu? Correr uma corrida de verdade? Não estou preparada o suficiente. Faz apenas dois meses que comecei a correr. Eu não consigo correr direto, sempre alterno corrida e caminhada. E se eu terminar em último? E se eu não conseguir terminar?

Mesmo assim resolvi dizer sim, mas durante a semana da corrida eu pensei em desistir e não correr. Eu não queria passar vergonha. Eu estava com medo. Deixei para buscar meu kit na última hora e estava fazendo de tudo para não correr, eu não queria correr, eu não queria fracassar.

A experiência de não poder me exercitar como gosto e ter meus movimentos limitados pelo pós operatório de cirurgias tão intensas tem sido muito complicada pra mim. Perdi os músculos das pernas que estão flácidas e gigantes, não tenho mais força no abdome e braços. Me sinto limitada e sinto medo de não voltar a ser a Ana forte e atleta que fui. Eu estava com muito medo.

Mas, como sempre, eu sabia que podia contar com os meus anjos da guarda. Postei a foto do kit de corrida, pedi palavras de apoio e recebi a motivação que precisava para acordar às 5:45 na manhã de domingo.

Na noite de sábado ainda entrei em contato com a minha mãe para que ela fosse me ver correr. Nada melhor que o amor de mãe pra me fazer acreditar que eu poderia terminar a corrida. Acordei no domingo me sentindo indisposta, mas precisava ter energia não só para mim, como para meu namorado e seu filho que estavam comigo naquela manhã. Fiz um café forte e um pré treino maravilhoso para ter energia:

Panqueca de banana e aveia

  • 1 banana média esmagada
  • 1 ovo
  • 2 colheres de aveia em flocos
  • canela
  •          – mexa tudo em uma tigela com um garfo e coloque na frigideira que deve estar pré aquecida.

    Comi tudo, peguei um taxi e fui para o shopping. Meu coração estava acelerado, minhas pernas tremiam e eu ainda me sentia muito indisposta. Ao chegar no Iguatemi, às 7:35, fiquei impressionada com a infra estrutura da corrida. Eu nunca tinha participado de uma coisa dessas, não sabia como funcionava. Era tudo gigante, vários quiosques, muitas pessoas e uma organização impecável. Coloquei o meu chip no pulso esquerdo, me despedi da minha mãe e fui para a área de alongamento. Eu estava muito nervosa. Meu deus como eu estava nervosa.
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    Eu tinha medo de não ter energia para a corrida e resolvi comer um pré treino em gel “vou comer esse treco, vai que ajuda”, ECA! AQUELE TRECO ERA DOCE DEMAIS! PARECIA DOCE DE LEITE DE BISNAGUINHA.

    Fiquei com aquele gosto horrível na boca. Liguei o app de corrida que me preparava para começar o exercício. A moça do microfone começou a animar o pessoal e disse “Todos prontos?! Vamos fazer a contagem regressiva?? 3…2…1… FOI DADA A LARGADA!”. 

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    Uma revista de corrida colocou uma gordinha na capa e a internet surtou!

    Encontrar uma gordinha em capa de revista é algo raro/quase impossível né? E em revista de esporte? Vish… nem se fala! Todos os corpos são esculturais, malhados e chegam a ser até um desânimo para quem quer começar a fazer qualquer atividade física, mas mês passado isso mudou um pouquinho quando a revista Women’s Running resolveu colocar a modelo Erica Schenk na capa.
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    Erica é corredora e foi a primeiro modelo plus-size a fazer parte da revista.

    Modelo e Corredora

    Ao ser perguntada do por quê da decisão, Jessica Sebor, a editora chefe da revista respondeu que há um estereótipo que todos os corredores são magrinhos e este não é o caso, as pessoas que correm são de todas as formas e pesos. Você pode ir a qualquer linha de chegada de uma maratona de 5km e verá que é verdade. E é muito importante que celebremos isso”. Ela continua “Eu acho que toda mulher quando vê uma prateleira de revistas, muitas vezes não se sente representada, pois não se vê nas capas. Nós queríamos que as nossas leitoras pudessem se reconhecer na nossa”. 

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