O que a desastrosa final de Masterchef te ensinou sobre a vida

Se você, assim como eu, estava super empolgado com a final do Masterchef Brasil de ontem, provavelmente se decepcionou com um programa chato, enrolado, confuso e vergonhoso. O programa cresceu muito em função da participação dos espectadores com comentários online e da linda Jiang que conquistou os nossos corações.

A segunda edição tinha tudo para terminar de forma triunfal, os finalistas Raul e Izabel evoluíram demais ao longo do programa e cativaram os espectadores que esperavam ansiosos pela final que seria AO VIVO! A prévia do programa era guiada por uma repórter que claramente não tinha o carisma necessário para um programa de entretenimento e, embora ela estivesse entrevistando a platéia com perguntas divertidas e tentando animar todo mundo, sua entonação de voz era a mesma de quem noticia um desastre em que 457 pessoas morreram de forma terrível.

O programa finalmente começou e… ESPERA! Por que a Ana Paula Padrão está usando exatamente a mesma roupa do último episódio?

Sim! Ana Paula Padrão estava com o mesmo vestido horrível de um braço só estilo poltergeist  do último episódio e a justificativa era: a prova final foi gravada no mesmo dia da semi-final, então ela está com a mesma roupa para dar ideia de continuidade. PRONTO! Começamos o problema aí! O Masterchef Brasil era um Ao Vivo fake, estilo UFC na Globo, 98% do programa já estava gravado e somente a revelação do grande vencedor seria em tempo real. 

Ter grande parte do programa já gravado não é necessariamente um problema, isso é normal, afinal é uma prova de culinária, várias coisas podem dar errado e eles precisam de certo controle do que vai acontecer. O erro está em querer fingir ser tudo ao vivo com uma semi continuidade de novela e menosprezar a inteligência de quem assiste. É basicamente esfregar na cara do telespectador “acreditamos que vocês são burros e não vão notar que a prova foi gravada”.

Fazer isso é o equivalente ao cara que vai conversar com uma mulher a tratando como ingênua e burrinha, sem ao menos saber quem ela é. Então essa é a primeira lição que temos para a vida: não tente menosprezar a inteligência das pessoas, sinceridade vale muito mais que uma ação enganosa.

Se você acha que o desastre era somente o programa ser aovivogravadoaovivogravadoaovivogravado, tem muito mais coisa por aí. Ao saber que o programa cresceu em função do engajamento nas redes sociais, a produção resolveu fazer um palco interativo chamando influenciadores/tuiteiros/blogueiros/vlogueiros para interagir com o público. O palco era apresentado pela diva Preta Gil, mas não tinha exatamente alguma pauta e nenhum objetivo claro a não ser informar quantos tuítes já tinham sido feitos até o momento, o que aparecia em tempo real no canto superior direito da tela. Foi uma grande ideia, porém mal aproveitada.

Tá aí a segunda lição que aprendemos na vida: se vai fazer algo, que seja com um objetivo claro, não inventa uma história toda sem planejamento. É quase a mesma coisa de você convidar alguém pra sair e quando chega no lugar fica o tempo todo no celular e não resta nada a pessoa a não ser se perguntar “o que mesmo eu estou fazendo aqui?!”

Se você imagina que o show de vergonha alheia nesse jantar mal aproveitado tinha terminado por aí, calma! Nós já passamos pelos drinks e entrada, mas agora temos o prato principal! Os terríveis, vergonhosos, ridículos remixes sem sentido. A Band contratou uns meninos de 12 anos, jogadores de minecraft e os tios que assistem Pânico para homenagear os chefs e apresentadora com músicas feitas com falas deles no programa.

Os comerciais eram sempre chamados após cada clipe, o que era ótimo, afinal ninguém tinha cara para aparecer depois dessa coisa ridícula, mas no fim do vídeo da Ana Paula eles não tiveram alternativa a não ser voltar para o programa e um riso fingido/forçado da nossa maravilhosa atriz porém não Ana Paula Padrão.

Qual é a terceira lição que nós aprendemos, amiguinhos? Não tente ser quem você não é. A televisão tentou dar uma de internet e passou vergonha. Ficou parecendo aquele tiozão de 50 anos que se veste e se comporta como se tivesse 20 e na verdade só é um cara inseguro com a sua idade.

Como se não bastasse tudo isso, para finalizar com chave de ouro o desastre anunciado, a final do Masterchef resolveu ficar com carinha de poema do Bial, com depoimentos, depoimentos, depoimentos, falas, falas, falas, declarações, declarações que se arrastaram por quase 3 horas de programa, deixando a vontade do espectador de realmente saber quem foi o vencedor cada vez menor.

Na hora da Ana Paula padrão anunciar o vencedor o tesão já tinha acabado, muita gente já tinha desistido do programa porque não valia mais a pena ficar acordado. A emoção tinha dado lugar à irritação. Foda-se se o Raul ganhasse. Foda-se se a Izabel ganhasse. Nós só queríamos que o programa acabasse porque não tinha mais graça nenhuma. Ao invés de terminar com cara de quero mais que pena que acabou volta Jiang, acabou com cara de finalmente acabou porra essa merda nunca acaba porcaria de programa.

Eles ficaram construindo suspense, tensão e querendo prender tanto o espectador que tudo ficou muito chato. Não soube criar uma linha decente de programa para que terminasse numa energia legal. Quis tanto fazer algo épico que terminou completamente sem credibilidade.

Finalizamos agora com a nossa quarta lição de vida: Não adianta construir algo e criar uma expectativa que não vai conseguir entregar. É tipo você conhecer alguém online que parece ser tudo de bom, cria uma expectativa linda de um encontro maravilhoso, passa semanas combinando o quão maravilhoso vai ser e quando chega lá é tudo tão desconfortável que você só pensa em ir embora.

No fim a Izabel ganhou por puro mérito e o Raul continuou conquistando a galera com seu bom humor e criatividade, mas nada disso teve impacto, pois todo mundo estava cansado demais pra se importar. Foi uma final arrastada, triste e cheia de vergonha alheia que deixou o espectador desconfortável, infelizmente acabou tirando o brilho da campeã que, na única decisão acertada do programa, foi anunciada primeiro para o twitter, como forma de valorização de quem fez o programa acontecer. 

Parabéns, Izabel! Você evoluiu demais como pessoa e cozinheira no programa, esperamos que a sua vida seja repleta de conquistas daqui pra frente.

E o Masterchef, infelizmente se despediu com aquela sensação de “que pena que terminou nesta merda”. Quem sabe no próximo seja melhor.